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1 de junho de 2012

Primeiro capítulo de A Marca de Atena



Capitulo 1 de A Marca de Atena













ANNABETH


ATÉ CONHECER A ESTÁTUA EXPLOSIVA,  Annabeth pensava que estava preparada para qualquer coisa.      Ela tinha andado pelo convés do navio de guerra voador deles, o Argo II, verificando e conferindo as balistas para ter certeza de que elas estavam travadas. Ela confirmou que a bandeira branca de  ‘‘Nós viemos em paz’’ estava voando no mastro. Ela revisou o plano com o resto da tripulação – e o plano reserva, e o plano reserva para o plano reserva.    Mais importante, ela se livrou do seu supervisor louco por guerra,  o treinador Gleeson Hedge,  o encorajando a tirar a manhã de folga na sua cabina e assistir as reprises dos campeonatos de MMA. A última coisa que eles precisavam enquanto voavam num navio mágico grego direto para um acampamento romano  potencialmente perigoso era um sátiro de meia idade com roupas de ginástica brandindo uma clava e gritando ‘‘Morram!’’.             Tudo parecia estar em ordem. Até mesmo aquele calafrio misterioso que ela vinha sentindo desde que a nave decolara havia sumido, pelo menos naquele momento.             O navio de guerra desceu através das nuvens, mas Annabeth não conseguia parar de se questionar. E se essa fosse uma péssima ideia? E se os romanos entrassem em pânico e atacassem assim que nos vissem?             O Argo II definitivamente não parecia amigável. 60 metros de comprimento, com um casco de bronze armado com repetidas bestas a bombordo e estibordo, um dragão de metal flamejante como figura de proa e duas balistas giratórias no meio do navio capazes de atirar parafusos explosivos poderosos o suficiente para destruir concreto... bem, não era o transporte mais apropriado para cumprimentar os vizinhos.           Annabeth tentou notificar os romanos. Ela pediu para que Leo mandasse uma de suas invenções especiais – um papiro holográfico – para que alertasse seus amigos dentro do acampamento. Com sorte, a mensagem teria chegado. Leo queria ter pintado uma mensagem gigante no casco – E aí? Com uma carinha feliz – mas Annabeth vetou a ideia. Ela não tinha certeza quanto ao senso de humor dos romanos.              Tarde demais para voltar agora.          As nuvens se dissiparam, revelando o carpete dourado e verde das Oakland Hills abaixo deles. Annabeth segurou um dos escudos de bronze que estavam alinhados na grade lateral a estibordo.            Seus três colegas de tripulação foram para seus lugares.           No quarterdeck externo, Leo se apressava para todos os lados como um homem louco, checando os medidores e acionando alavancas. A maioria das pessoas teria ficado satisfeita com um volante para o piloto. Leo também tinha instalado um teclado, um monitor, controles de aviação de um jato, aparelho de som e sensores de movimento de um Nintendo Wii. Ele poderia virar o navio puxando uma válvula, disparar armas remixando músicas, ou içar as velas apenas mexendo seu controle Wii. Leo tinha sérios problemas de TDAH.        Piper andava para lá e para cá entre o mastro principal e as balistas, praticando suas falas. ‘‘Abaixem suas armas.’’, ela murmurou. ‘‘Nós só queremos conversar.’’.        O poder do charme de Piper era tão poderoso que as palavras passaram por Annabeth, preenchendo-a com um desejo de largar sua adaga e ter uma longa e amistosa conversa.


 Para uma filha de Afrodite, Piper se esforçava em esconder sua beleza.  Hoje ela estava vestida com jeans rasgados, tênis desgastados e uma regata branca com desenhos rosa da Hello Kitty. (Talvez como uma piada, apesar de Annabeth nunca  pudesse ter certeza quando o assunto era Piper). Seu cabelo castanho repicado estava numa trança caída para o lado direito com uma pena de águia.      E ainda tinha o namorado de Piper – Jason.  Ele estava numa plataforma elevada na proa, onde os romanos poderiam facilmente reconhecê-lo. Suas articulações estavam brancas aonde seguravam o cabo de sua espada dourada. Mesmo assim, ainda pareceria calmo para um cara que estava se fazendo de alvo.  Sobre seus jeans e sua camisa laranja do Acampamento Meio-Sangue, ele usava uma toga e uma capa roxa – símbolos de seu antigo cargo como pretor. Com seus cabelos loiros despenteados e seus olhos de um azul gélido, ele estava extremamente lindo e aparentava estar com a situação sob controle – exatamente como um filho de Júpiter deveria.       Ele cresceu no Acampamento Júpiter, de modo que, com sorte, seu rosto familiar faria com que os romanos hesitassem em explodir o navio.       Annabeth tentava esconder, mas ela ainda não confiava completamente no cara. Ele era muito perfeito – sempre seguindo as regras, sempre fazendo coisas honráveis. Ele até mesmo tinha uma aparência muito perfeita. No fundo de sua mente, ela tinha um pensamento incômodo:  E se isso fosse uma armadilha e eles nos traísse? E se nós aportarmos no Acampamento Júpiter e ele falar: “E aí, Romanos! Olhem só esses prisioneiros e esse navio legal que eu trouxe para vocês! “?        Annabeth duvidava que isso fosse acontecer. Mesmo assim, ela não conseguia olhar para ele sem ficar com um gosto amargo na boca. Ele tinha feito parte do ‘‘programa de intercâmbio’’ forçado por Hera para apresentar os dois acampamentos.  A deusa mais irritante, rainha do Olimpo, convenceu os outros deuses que seus dois tipos de crianças – romanas e gregas – deveriam se unir para salvar o mundo de Gaia, que estava acordando da terra e que estava acordando seus terríveis filhos, os gigantes.     Sem avisar, Hera pegou Percy Jackson, namorado de Annabeth, apagou sua memória e o mandou para o acampamento romano. Em troca, os gregos receberam Jason. Apesar de Jason não ter culpa, mas toda vez que Annabeth o via, lembrava o quanto ela sentia a falta de Percy.         Percy... que estava em algum lugar abaixo deles agora mesmo.      Oh, deuses. Pânico começou a surgir dentro dela. Ela o repeliu. Não podia se dar esse luxo. Eu sou uma filha de Atena, ela disse para si mesma, tenho que continuar com o meu plano e não me distrair.      Ela sentiu aquilo de novo – aquele calafrio, como se um boneco de neve psicótico estive atrás dela, respirando no seu pescoço. Ele se virou, mas não havia ninguém.      Devem ser os nervos. Mesmo num mundo cheios de deuses e monstros, Annabeth não conseguia acreditar que um novo navio de guerra pudesse estar assombrado. O Argo II era muito bem protegido. Os escudos de bronze celestial colocados nas grades laterais serviam para repelir monstros e, além do mais, o treinador Hedge, seu sátiro a bordo, teria farejado qualquer intruso.


Annabeth gostaria de rezar para sua mãe por orientação, mas isso não era possível agora. Não depois do mês passado, quando ela teve aquele terrível encontro com sua mãe, quando ganhara o pior presente de sua vida...     O frio a pressionou de forma mais intensa. Ela pensou ter ouvido uma voz no vento, rindo. Cada músculo do seu corpo ficou tenso. Alguma coisa estava prestes a dar terrivelmente errado.     Ela quase ordenou que Leo mudasse o curso. Então, no vale abaixo, as cornetas soaram. Os romanos tinham visto eles.    Annabeth achou que sabia o que esperar. Jason descreveu para ela o Acampamento Júpiter  detalhadamente. Ainda assim, ela mal conseguia acreditar no que estava vendo. Cercado pelas Oakland Hills, o vale tinha pelo menos o dobro do tamanho do Acampamento Meio Sangue. Um pequeno rio percorria de um dos lados até o outro, quase formando um círculo, até que se fazia uma curva no centro, como a letra G, desembocando num reluzente lago azul.   Exatamente abaixo do navio, aninhado a beira do lago, a cidade de Nova Roma resplandecia a luz do sol. Ela reconhecia alguns lugares que Jason havia falado a respeito – o hipódromo, o coliseu, os templos e parques, o bairro das Sete Colinas com suas ruas sinuosas, casas coloridas e jardins floridos.  
Ela viu evidências da recente batalha dos romanos contra um exército de monstros.A cúpula estava aberta em um prédio que ela supôs ser a Casa do Senado. A ampla praça do fórum estava cheia de crateras. Algumas fontes e estátuas estavam em ruínas.
Dúzias de crianças de toga estavam correndo da Casa do Senado para ter uma melhor visão do Argo II. Mais romanos surgiram das lojas e cafés,  espantados e apontando enquanto no navio descia.
Em torno de um quilômetro a esquerda, onde as cornetas soavam, uma fortaleza romana se estendia  em uma colina. Parecia igual às ilustrações que Annabeth viu em seus livros de História –  com uma trincheira de defesa revestida de espinhos, muros altos e torres de vigilância armadas com balistas. Dentro, fileiras perfeitas de barracas brancas ladeavam a via principal – a Via Principalis.
Uma coluna de semideuses emergiu dos portões, suas armaduras e lanças reluziam enquanto corriam em direção a cidade. No meio deles havia um elefante de guerra de verdade.
Annabeth queria aterrissar  o Argo II antes que suas tropas chegassem, mas o chão ainda estava a vários metros de distância. Ela examinou a multidão, esperando ter algum vislumbre de Percy.
Então algo atrás dela houve um BOOM!


A explosão quase a jogou borda afora. Ela girou e se encontrou olho a olho com uma estátua raivosa.
“Inaceitável!” ele gritou.
Aparentemente ele havia aparecido da explosão, logo ali no deck. Fumaça de enxofre amarela saía de seus ombros. Cinzas estalavam ao redor de seu cabelo encaracolado.  Lá embaixo, ele não passava de um pedestal de mármore quadrado. Ali em cima, ele era uma figura humana musculosa com uma toga esculpida.
“Eu NÃO permitirei armas dentro  da Linha Pomeriana!” ele anunciou com uma voz de professor nervoso. “E eu certamente não permitirei gregos!”
Jason lançou a Annabeth um olhar que dizia “Deixa comigo”.
“Terminus,” ele disse. “Sou eu. Jason Grace.”
“Ah, eu me lembro de você, Jason!”  resmungou  Terminus. “Eu achava que você teria bom senso em não se consorciar com os inimigos de Roma!”
“Mas eles não são inimigos...”
“É verdade,” Piper se intrometeu. “Nós queremos apenas conversar. Se pudéssemos...”
“Há!” gritou a estátua. “Não tente esse charme em MIM, jovenzinha. E abaixe esse punhal antes que eu o tire de suas mãos!”
Piper olhou seu punhal de bronze, que ela aparentemente esqueceu que estava segurando. “Hm... Okay. Mas como você iria tirá-lo da minha mão? Você não tem braços.”
“Impertinência!”  Houve um pop agudo e um flash de amarelo. Piper ganiu e soltou o punhal, que agora estava soltando fumaça e faíscas.
“Sorte sua que eu acabei de sair de uma batalha,” anunciou Terminus. “Se eu estivesse com força total, eu já teria explodido essa monstruosidade voadora do céu!”
“Peraí!” Leo deu um passo a frente, abanando seu controle Wii. “Você acabou de chamar meu navio de monstruosidade? Eu sei que você não fez isso.”
A idéia que Leo poderia atacar a estátua com seu dispositivo de vídeo game foi o suficiente para tirar Annabeth de seu choque.
“Vamos nos acalmar.” Ela levantou suas mãos para mostrar que não tinha armas. “Eu entendi que você é Terminus, o deus dos limites. Jason me contou que você protege a  Nova Roma, certo? Eu sou Annabeth Chase, filha de ...”
“Ah, eu sei quem VOCÊ é!” a estátua olhou para ela com seus inexpressivos olhos brancos. “Uma criança de Atena, a forma grega de Minerva. Escandaloso! Vocês gregos não tem senso de decência. Nós romanos sabemos o lugar apropriado para aquela deusa.”
Annabeth travou seu maxilar. Essa estatua não estava facilitando sua diplomacia. “O que exatamente você quer dizer  com aquela deusa? E o que há de tão escandaloso em...”
“Certo!” Jason interrompeu. “De qualquer forma, Terminus, estamos aqui em uma missão de paz. Nós adoraríamos ter permissão de pousar para que possamos...”
“Impossível!” guinchou o deus. “Abaixem suas armas e rendam-se! Partam da minha cidade imediatamente!”
“Qual deles?” perguntou Leo. “Render-se ou partir?”
“Ambos!” disse Terminus. “Rendam-se e, então, partam. Estou te estapeando por perguntar algo tão estúpido, seu garoto ridículo! Sente isso?”
“Uou.” Leo estudou Terminus com interesse profissional. “Você tem alguma engrenagem faltando? Eu poderia dar uma olhada nisso.”
Ele trocou o controle do Wii por uma chave de fenda através do seu cinto de ferramentas mágico e deu uma batidinha no pedestal da estátua.
“Pare com isso!” Insistiu Terminus. Mais uma pequena explosão fez com que Leo guardasse sua chave de fenda. “Armas NÃO SÃO permitidas no solo romano dentro da Linha Pomeriana.”
“Da o que?” perguntou Piper.
“Limites da cidade”, traduziu Jason.
“E esse navio inteiro é uma arma!” disse Terminus. “Vocês NÃO PODEM pousar!”
No vale abaixo, os reforços da legião já estavam a meio caminho da cidade. A multidão no fórum já chegava a uns cem agora. Annabeth  examinou  os rostos e... oh, deuses. Ela o viu. Ele estava caminhando  em direção ao navio com seus braços em volta de outras duas crianças como se fossem melhores amigos – um garoto robusto com um corte militar, e uma garota usando um capacete da cavalaria romana. Percy parecia tão tranquilo, tão feliz. Ele vestia uma capa roxa igual à de Jason – a marca do pretor.
O coração de Annabeth deu cambalhotas.
“Leo, pare o navio,” ela ordenou.
“O que?”
“Você me ouviu! Mantenha-nos exatamente onde estamos.”
Leo tirou o controlador e o puxou para cima. Todos os 90 remos congelaram no lugar. O navio parou de descer.
“Terminus,”disse Annabeth, “não há regras contra pairar sobre Nova Roma, há?”
A estátua franziu as sobrancelhas. “Bem, não...”
“Nós podemos manter o navio em cima, “ disse Annabeth. “Nós usaremos uma escada de corda para alcançar o fórum. Nesse caso, o navio não estará em solo romano. Não tecnicamente.”
A estatua pareceu ponderar. Annabeth imaginou se ele estaria coçando o queixo com suas mãos imaginarias.
“Eu gosto dos ‘tecnicamentes’,” ele admitiu. “Mas ainda...”
“Todas as nossas armas ficarão no navio,” prometeu Annabeth. “Presumo que os romanos – mesmo os reforços marchando em nossa direção – também honrarão suas regras dentro da Linha Pomeriana se você lhes mandar?”
“Claro!” disse Terminus. “Por acaso parece que eu tolero quebradores de regras?”
“Hã, Annabeth...” disse Leo. “Você tem certeza de que essa é uma boa ideia?”
Ela fechou seus punhos para evitar que tremessem. Aquela sensação de frio ainda estava lá. Flutuava logo atrás dela, e agora que Terminus não estava mais gritando e causando explosões, ela pensou que podia ouvir a presença rindo, como se estivesse satisfeita pelas escolhas ruins que ela fazia.
Mas Percy estava lá embaixo... Ele estava tão perto. Ela tinha que chegar até ele.
“Vai ficar tudo bem,” ela disse. “Ninguém estará armado. Nós podemos conversar em paz. Terminus vai garantir que cada lado obedeça as regras.” Ela olhou para a estátua de mármore. “Temos um acordo?”
Terminus bufou. “Eu suponho que sim. Por ora. Você deve descer sua escada para a Nova Roma, filha de Atena. Por favor, tente não destruir minha cidade.”



Tradução e Revisão: Aghata Rodrigues Souza e Francisco Rodrigues ( membros do ORJ )

2 comentários:

  1. incrivel velho esse primeiro cap heheh, meu coraçao começou a disparar qnd comecei a ler xD

    affs ter que esperar meses para ler o resto vai ser fods =(

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  2. TBBBBBB

    ahhhhh pelo menos vamos ter vários livros maneiros esse ano

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