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20 de junho de 2011

(Blog) Um post do dia dos pais


No evento BooksmART em Dallas na semana passada, uma das coisas que mais me impressionou foi a quantidade de pais que levaram seus filhos. Apesar da multidão e do calor, esses pais estavam muito felizes em esperar sob um sol escaldante para deixar seus filhos me encontrarem e eu assinar seus livros. Todos pareciam estar de bom humor. Eu sempre amo ver os pais virem com seus filhos em eventos de leitura, e isso me faz apreciar como meu pai me iniciou na minha carreira de autor. Eu já fiz vários posts de Dia das Mães, mas este final de semana parece apropriado para homenagear meu pai, o primeiro contador de histórias da minha vida.
As imagens acima foram desenterradas do meu álbum de família mais velho. Foi um milagre elas sobreviverem ao incêndio que destruiu a casa da minha mãe em 1980, o que oferece uma ótima lembrança dos meus primeiros anos.
Meus pais se casaram muito jovem, e não planejaram ter um filho tão cedo. A primeira foto mostra meu pai me segurando com uma roupa de bebê Aggie, já que ambos meus pais foram à escola no Texas A & M. O que me impressiona é como o meu pai estava parecendo jovem nessa foto — ainda mais jovem do que meu irmão Brady agora, e eles são muito parecidos. Eu tinha trinta anos quando meu primeiro filho nasceu. Mesmo assim era difícil. Isso me dá faz ter muito valor pelo trabalho que meu pai teve quando eu nasci e ele estava ainda saindo da escola. Eu me lembro que ele era paciente e cuidava de mim com um ótimo senso de humor. Eu dúvido que eu poderia ter feito tão bem aos meus vinte anos. Não — com certeza não poderia.
Abaixo, é uma foto do meu pai me apresentando ao Golfo do Texas. Meu pai adora a costa, e se mudou para Port Aransas, e onde provavelmente esta foto foi tirada. Uma das minhas primeiras lembranças são eu e meu pai acampando na praia, projetando uma bandeira para tremular sobre nossa barraca como se estivéssemos montando um castelo medieval. Nós alimentávamos gaivotas, montávamos castelos de areia fantásticos e comíamos sanduíches com areia. Eu vou admitir que eu não era muito chegado ao oceano quando eu era jovem, e hoje eu ainda preciso de um pouco de coragem para me aproximar da praia. Medusas e águas profundas me assustavam. Vísceras de peixe me colocavam pra fora. E o filme “Tubarões” não ajudou muito. Mas eu ainda tenho ótimas memórias dessa época. Mesmo a época em que meus pais me acordavam no meio da noite rapidamente para escaparmos de um furacão — um retrospecto, a memória está muito viva.
Terceira foto: Outro tiro na água! Eu acho que é a piscina pública Alamo Heights em San Antonio, embora eu possa estar errado. Eu sei que nós fomos lá muitas vezes. Meu foi e é um grande fã de água, acho que foi por isso que eu cresci e escrevi sobre Percy Jackson, o filho do Deus dos Mares!
A próxima foto é datada de: 1º de Junho de 1965, quando eu tinha mais ou menos um ano de idade. Meu pai está me levando ao San Antonio Zoo, um dos melhores zoológicos do meu país, onde passei uma boa parte da minha infância, Minha parte favorita eram as máquinas Mold-a-Rama, onde eu fazia réplicas de cera dos animais que eu via. O surpreendente é que essas máquinas funcionam até hoje, então tenho que levar meus filhos lá para começar suas próprias coleções. Na verdade, eu tenho foto comigo e meus filhos, Haley e Patrick, que são muito parecidas com essa foto minha com meu pai.
A foto a seguir — ah querida! Como essa foto foi parar aí? Esse é meu pai com minha avó materna me dando um banho no quintal. Sim, esse é o tipo de foto que seus pais ameaçam mostrar para sua namorada quando você crescer. Porque eu estava tomando um banho no quintal? Devia ser porque eu estava brincando com a lama. Ou, isso possivelmente aconteceu antes de existir água encanada. Não … provavelmente era a lama.
A foto preta e branca: novamente, é incrível como meu pai se parece com meu irmão mais novo, ou vice-versa. Esta é a primeira foto de mim e meu pai juntos, logo depois que eu nasci no Hospital Metodista, em San Antonio. Ele parece muito calmo, já que eu não estava programado. Aconteceu da seguinte forma, o médico que iria me entregar estava prestes a sair de férias, e então ele foi para a sala de cirurgia usando uma roupa Havaiana. Novamente, os ecos da vida de Percy Jackson! Eu fui mesmo entregue pelo Dr. Tommy Bahama.
Abaixo é uma cena que qualquer pai pode se relacionar: total exaustão. Eu não tenho certeza de quem está mais apagado na foto, eu ou meu pai, mas também eu pareço muito seguro e confortável. Quando eu era um pouco mais velho, eu me lembro claramente que eu ia rastejando para a cama de meus pais e se abraçava com meu pai, ouvindo sua respiração até adormecer. Ele tinha uma forte e reconfortante presença.
Abaixo mostra eu olhando para o meu pai muito surpreso, devia estar pensando “Caraca! Esse é meu pai!”. Meu pai parecia feliz e relaxado, apesar do fato de que ele estava fazendo malabarismo entre a Faculdade A&M e a paternidade inesperada.
Finalmente, uma foto onde eu estou na rua a procura de trabalho. Sim, a vida era difícil naquela época. Não … na verdade eu adoro essa foto. Você tem que cavar o chapéu. Obviamente eu tinha acabado de aprender a andar, e esses foram alguns dos meus primeiros passos.
Isso mostra a você o sentimento entre eu e meu pai, em nossos primeiros anos juntos, mas uma coisa que não mostra é o quanto nós líamos juntos. Meu pai lia para mim o tempo todo. Eu ainda tenho a cópia surrada de Tales of the Western World, agora a muito tempo fora das vendas, da onde meu pai lia para mim sobre os mitos dos nativos americanos e contos dos antigos pioneiros. Lá começou o meu amor durante toda minha vida pela mitologia. Eu também amava Doctor Seuss e P.D. Eastman’s Go, Dog, Go que eu fiz meu pai ler para mim várias vezes. Hop On Pop, com certeza foi um dos meus favoritos, especialmente quando ele me deu a desculpa de correr e saltar na barriga do meu pai, que ele aceitava bem, apesar de eu não ser uma criança brilhante.
Quando me tornei professor a alguns anos atrás, eu costumava fala o quanto é importante a leitura para as crianças. Ter pais que leêm é muito importante, pois a criança verá que a leitura é uma parte importante e agradável da vida familiar. O que muito vezes eu não reconheço é o quanto meu pai influenciou no meu desenvolvimento. Ele tomava tempo para ler. Ele amava histórias, e ele implantou esse amor à leitura em mim.
Ele também deixou claro que valorizava a criatividade, e nutriu seu próprio lado artístico. Quando eu era muito novo, ele me iniciou na cerâmica, ensinou a usar a roda, e fez amizade com um ceramista local que o ensinou a construir e a utilizar um forno. Eu aprendi com ele, primeiro nos estúdios de arte do Museu McNay, depois com o seu amigo extremamente hippie em seu acampamento/estúdio de arte construído a partir de uma cúpula de radar de cabeça para baixo em um bosque perto de Universal City. Eu nunca fui muito bom na roda de cerâmica, mas eu adorava fazer esculturas em argila, e ir ajudá-lo a fazer uma estátua do “Deus do Forno”, uma espécie de talismã de boa sorte para um novo forno, que supostamente ajudou a não deixar quebrar os potes quando acionado o forno. Falando de mitologia!
Comecei a fazer dinossauros de argila também. Nos finais de semana quando meu pai ia a shows de arte vender seus artigos de cerâmica, ele me levava junto para eu vender meus dinossauros. O surpreendente é que eles eram vendidos. Eu me lembro de uma peça em particular que saiu do forno do jeito que ela derreteu. Parecia que o dinossauro tinha tido um ataque do coração. Meu pai falou, “Certo, traga isso, talvez algum otário vá compra-la.”
Com certeza, um cara veio ao nosso estande e riu ao ver o dinossauro deformado. Ele pegou o dinheiro e eu virei orgulhosamente para o meu pai e disse, “É pai, você estava certo! Algum otário comprou isso.” Meu pai ficou vermelho e manteve seu sorriso forçado no lugar, balançando a cabeça para eu me calar. O cara comprou a estátua mesmo assim.
A questão é: Meu foi era uma pessoa criativa e um contador de histórias. Assim como minha mãe, ele também era professor, e trabalhou na Escola Pública de San Antonio por vários anos. A base para formação do que eu sou hoje, começou nesses primeiros anos, vendo e aprendendo com meu pai. Sem um modelo forte como o dele, eu duvido que eu me tornaria um escritor.
Então, para o meu pai — Muito obrigado! Não tenho palavras para você. E obrigado a todos aqueles pais que tiram um tempo para ler com seus filhos, incentive a imaginação e invista nos interesses deles, mesmo que isso signifique ficar em pé uma hora em baixo de um sol forte esperando para ver um autor! Você não deve saber o maravilhoso presente que está dando para o seu filho, mas acredite em mim — o valor pelo o que você está fazendo é imenso. Feliz Dia dos Pais para todos.

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